terça-feira, 17 de maio de 2011

Partida de amor





Não vá embora
Por favor!

Por favor
Não vá embora!
Eu ainda não disse
o quanto quero te amar
O quanto você me faz bem
e me faz acreditar na
sobreposição do amor doído...

Tu alegras minhas noites
com teu sorriso vermelho de batom
e teus brincos de lua
e flores rosas...

Não vá embora
Não vá!
Por que hoje
no mínimo perigo de te perder
eu chorei...
Chorei sim, ainda que internamente
pra disfarçar minha fraqueza
perante a muralha de sua existência...

domingo, 15 de maio de 2011

Eu sou a Lua




Dizem que Sol e Lua não se dependem
nem se enamoram em seus desencontros...

Isto é calúnia
ao amor dito pelos deuses
Que enfeitiçam estrelas e astros
sem que o fogo de um
lamba o frio de outro...

Qual é minha felicidade!
que não toca nem é lambida
Que vagueia solitária
nos abismos astrais
Entre os ventos e sons
inexistentes
Se achando no meio de vida e alegria
num espírito sem amor
e doente.

Ventarolas





Ao teimares na beleza
meu peito por ti estremece
Como quando o mar se revolta
cansado das ventarolas do céu...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Fanque





Som dos infernos
Seja lá o nome que dás...

Som dos agouros
de morte, de azar
de todos os umbrais

Som que estremece
as vidraças frágeis de meus ouvidos
Som que descende
dos atabaques catimbozeiros
dos oprimidos...

Som promíscuo, infame
de luxúria e perversidade
Tú, o som das trevas milenares
- Morras em teu próprio terremoto! -

Ó som impiedoso de impiedades!

Álcool de Beber





O álcool das minhas garrafas
é remédio ao espírito choroso
Das angústias de ser não-amado
Das calúnias por não ser um rude

E então derramo álcool
pelos homens que são tiranos

Derramo álcool
pelas de-casa que servem, rebaixadas

Derramo álcool
ao mundo dos oprimidos e doentes
e jogo a pequena centelha
esperando o milagre da combustão...

Pois quero fogo, quero morte
Quero o fim da sorte e da solidão

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Música de Maria





Menininha das minhas tardes
que corre fagueira
ao encontro de meus braços vis
Que me acolhe em seus seios de nuvem
com todo o amor de irmã
que eu quis...

De palavra bem longa
em conversas deveras esclarecedoras
Envolve-me em um manto
de luz e rubor
de textura mui consoladora...

És tu, do nome da Puríssima Mãe do Senhor...
Maria, quiçá das alturas
Que já nas terras escuras
dá provas de seu amor


Para Maria Clara (Colégio Pedro II)

Carta de Confissão





Quando dei por mim e cá estava
voltei logo a ser o que era:
Retornei ao mundo das quimeras
onde o braço não acompanha
o andar do pensamento
E agora amo em qualquer momento
e volto a escrever por onde meu peito passou

Eu não escrevo o que quero, eu confesso
Eu só escrevo o que sou...

Carpe Diem





Ditam regras e costumes
moralistas animais
que não fumam
nem bebem, nem transam
Que vivem no ócio
destrutivo da inércia
Que vivem num não-ser
que não sofre
e maltrata...