quarta-feira, 2 de março de 2011

Os quintais




No quintal de minha casa
Não há parques nem flores belas
O céu não brilha com suas estrelas
Nem passarinho canta no amanhecer

No quintal lá de casa
Só há pegadas de monstros e lagartixas
Que correm ligeiras
Ao primeiro passo de qualquer aranha

É muito triste o quintal de minha casa
É frio e morto como meu peito
É duro e alvo como meu leito
É áspero e mordaz como meu eu

O que eu quero para mim é outro quintal
Onde eu possa escrever poemas mais vivos
Onde eu veja flores e estrelas cadentes
A rodopiar nos ares redivivos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

[Sem - Título]




Do jeito que veio foi
E nunca mais senti falta
da saudade
que não teimou em me acompanhar,
até hoje.

[Sem - Título]




Você se foi
e tudo ficou fosco, sem brilho
O calor das cortinas vermelhas
de nosso antigo quarto
se fez alvo no mesmo instante.

E o anel rubi, verde, brilhante
você deixou em cima da penteadeira
lembrando os tempos de tua falsa humildade.

Não creio mais no amor que sinto
cheio de flores e invernos calorosos
Nem na lareira de tuas pernas cautelosas
que me prendiam nos lençóis emaranhados.

Não irei mais à missa dos domingos
nem farei oferenda ao orixá que me guia
Não banharei meu peito em tuas águas
nem viverei em tua terna alegria.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Meu lado negro, podre, sujo...





O verdadeiro poeta
é aquele que sofre
é aquele que morre
e inventa seu próprio devaneio

Pobres poetas perniciosos
que magoam e ferem pelas palavras
que beijam corações e se dizem amigos
mas que os dilaceram por trás
com afiadas facas

Ame uma, duas, três ou quatro
Invente a dor para escrever melhor
Invente a angústia e seja falso
que aí o poeta encarna em você

De que me vale amar unicamente
e ser solitário por entre as vielas de minha alma
se posso tentar um amor de repente
e voar ao mais alto das escadas rolantes?

Louco, louco, louco!
Inconstante, galinha abobalhado!
Sou quimera viva, inebriante
Modesto pasto do cerrado
Me chame de tonto
besta cegueta
Me chame de favo de malaguetas
De conto repetido do vigário!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Minhas seis horas da tarde




Pior hora do mundo
quando o Sol não sabe se fica
e a noite nao sabe se vem

Eu, com eles, marasmado
não crio nem sou inventado
não acendo nem apago
o comprido charuto de morte

Seis horas da tarde
Que não é dia nem é noite
Eis a pior hora do dia
Sem calor ou dor
Tudo frio, azul e branco
as nuvens vão escondendo o sol
que teima em ir por si só
E as estrelas brilham para a lua entrar


Seis horas, abençoada seja
É aí que eu não amo
nem odeio
Não vivo nem morro
É aí que sou um qualquer
a ir ou vir, sem cessar...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Narguilé



Eu estou aqui
fumando meu incenso indiano
apenas pelas narinas

O cheiro da madeira queimada
lembra-me, e muito,
o odor de meu coração apaixonado...

A cachoeira de vapor
escorre rapidamente para cima
Como a dar saltos longos
a correr para meu nariz

Trago, mas só o ar
que está em volta
E creio que este seja o pior
Cheio de pensamentos e desejos malévolos

Quero apagar tudo isso
que acabo de escrever
Mas qual a graça
de ter sempre o poema perfeito?
Deixo, então, não o poema
a ser lido
Mas minha dor de amar
e não ser correspondido...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estou perdido - tradução poética de The Scientist, Coldplay

Estou indo te ver, te pedir desculpas
por não ser tão adorável quanto você
Na verdade eu precisei ir até você
só pra dizer o quanto eu te amo
e o quanto sinto por estarmos separados
Me conte seus medos, suas dúvidas
Vamos! vamos começar pelo começo...

Não adianta andarmos em círculos
A razão não aquece o coração de ninguém

Nunca disse que seria fácil
Distantes então, tudo piora...
Nunca disse que seria fácil
Mas não sabia que seria tão difícil
Por favor, vamos começar pelo começo...

Joguei números
tentei ver nosso amor escrito
Mas isso não é tão emocionante como teu sorriso
não fala tão alto como teu abraço
Diga que me ama, por favor
Comecemos pelo começo...

sábado, 6 de novembro de 2010

É meu sonho, é mentira

Olho firme para teus olhos
escondendo o medo terrível
do teu possível desprezo

As luzes da casa
deixam minha esperança fria,
quase morta

Meus poemas
nuncam foram tão decadentes,
nem tão reflexos de mim mesmo

Tudo conspira ao nosso favor
E isso dá a força
que me faz continuar

Mas não sei se aguento
sofrer mais uma vez
por uma coisa tão injusta...

O amor. Ah, o amor
Ele podia se matar...